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Marc Ferro revoluciona estudos
cinematográficos do século XX

Neste livro que é uma das obras inaugurais do campo de estudos da inter-relação entre o cinema e da História, Marc Ferro contrapõe os dois discursos de maneira a mostrar não apenas como um interfere no outro, mas também quais são os questionamentos que devem ser feitos a partir dessas interferências. Dentre as reflexões que Ferro levanta está a dúvida se o cinema modifica ou não a nossa visão de História. Para ele, em contraponto com a História oficial, o filme se torna uma agente da história pelo fato de contribuir para uma conscientização.

Muitas vezes as imagens de determinados personagens da história, como Joana D´Arc, por exemplo, que predominam no imaginário das pessoas são as impressas em filmes e não a que historiadores construíram. Isso porque, diferentemente de uma obra histórica que se atualiza ou recua de acordo com novas pesquisas, a obra de arte, no caso o filme, é imutável e se perpetua na memória.

Ferro argumenta que a ficção cinematográfica não faz uso de um só discurso histórico – a História-memória, a História geral ou a História experimental –, mas escolhe as informações que parecem mais significativas no momento em que a obra é realizada. O cinema pode reproduzir o passado, mas é o presente que está no comando. O livro é dividido em 5 partes cujos títulos expressam claramente os pontos de vistas investigados por Ferro:

Primeira parte: O filme, documento histórico;
Segunda parte: O cinema, agente da História;
Terceira Parte: Os modos de ação da linguagem cinematográfica;
Quarta parte: Sociedade que produz, sociedade que recebe;
Quinta parte: A história no Cinema.

Atendo-se principalmente ao século XX, o autor investiga quais eram as motivações da indústria cinematográfica soviética e americana para a produção de filmes. Como exemplo, o autor cita as duas grandes guerras, que teriam influenciado o cinema como instrumento de propaganda política. Além disso, Ferro explica as técnicas cinematográficas utilizadas nessa época e a maneira como elas podem expor e afirmar determinado ponto de vista implicitamente. Trata o filme como documento histórico e agente da História, numa sociedade que a recebe e também a produz. Filmes clássicos são analisados e discutidos ao longo do livro, alguns com destaque, como O encouraçado Potemkin, por conta da questão ficcional como modo de investigação histórica, e O Judeu Süss, por seu antissemitismo latente. Esta é uma nova edição do clássico de Marc Ferro. Foi revista e ampliada pelo autor em 1994 e até o momento encontrava-se inédita entre os leitores brasileiros. Ilustrado, o livro apresenta imagens dos filmes analisados no livro, como Alexandre Nevski, O grande ditador, A última gargalhada, e muitos outros que marcaram o século XX.

“Marc Ferro (...) concentra a maior parte dos seus esforços na noção de que os filmes (mas não necessariamente os filmes históricos) são um artefato cultural, artefato esse que não apenas é muito revelador do período em que foi realizado, mas que, nos melhores casos, fornece o que ele chama de uma ‘contra-análise’ da sociedade.”
Robert A. Rosenstone, autor de A história nos filmes / Os filmes na história

“O problema consiste em se perguntar se o cinema e a televisão modificam, ou não, nossa visão da História, entendendo-se que o objeto da História não é apenas o conhecimento dos fenômenos passados, mas igualmente a análise dos elos que unem o passado ao presente, a busca de continuidades, de rupturas.”
Marc Ferro

 

Editora Paz e Terra
2010
2ª edição - revista e ampliada
248 páginas - 16 de fotos Páginas
Formato: 14 x 21 cm ISBN: 9788577530281 R$ 35,00

 



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