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“A escuridão cai devagar, anunciando o fim daquela tarde de outono. A hora entre o cão e o lobo. O momento em que luz e sombras se mesclam, em que o medo se une às possibilidades. Tudo parece hesitar entre cão e lobo, entre uma coisa e outra, até o momento em que a noite, como um lento suspiro, finalmente cobre a cidade.”
A história de uma criança que cresce sob o amparo de bestas – cães, lobos, outras – não é inédita. Rômulo, Remo e a Loba, mito fundador de Roma, Tarzan ou Mogli: exemplos diversos poderiam ser reunidos numa antologia de meninos selvagens. A inspiração para o A hora entre o cão e o lobo está na vida real. Um menino russo é abandonado e passa a viver com uma matilha de cães.
Eva Hornung criou uma história tão vívida, tão visceralmente convincente, que, além de original, ela se tornou também exemplar.
Abandonado em Moscou no inverno rigoroso, um menino de quatro anos de idade, faminto, segue uma cadela viralata até o seu esconderijo noturno. Em meio à escuridão, por entre pelos, garras e dentes, ele avista os filhotes que sugam o leite de sua mãe.
Romochka junta-se a eles e assim tem início sua vida de cachorro. Frágil, com seus dentes de criança e seu olfato humano, Romochka não tem as vantagens nem os atributos de seus companheiros. Por outro lado, ele pode aprender a ser diferente, já que esta é uma habilidade que o ser humano consegue desenvolver. Um dia, no entanto, Romochka terá de aprender novamente a ser um menino. A matilha e seu líder acabam por chamar a atenção da polícia e de um casal de cientistas, que estudam o caso do menino selvagem.
Ao abrigar Romochka numa matilha, a escritora australiana Eva Hornung escreve, de forma lúcida e distanciada, sobre a desintegração e a persistência obstinada da comunidade, da família. O livro aponta também para o abraço vacilante da sociedade, para as conseqüências da marginalidade social e da exclusão. Ao fazer isso, a autora retrata a brutalidade, a ternura, o desamparo dos humanos, ao passo que explora a natureza animal e o que ela traz à nossa humanidade.
Neste romance, Hornung escreve sobre a vida nas ruas, para os cães e para os homens. Muitas vezes é difícil apontar a diferença entre os dois mundos. Vivendo lado a lado nos subúrbios de uma Moscou gelada, homens e cães reviram juntos os lixos da cidade e buscam um pouco de calor e ajuda onde conseguem encontrar. Romochka é um personagem convincente e complexo – carinhoso, bravo, selvagem, estranhamente belo.
Sob o título de Dog boy, A hora entre o cão e o lobo foi publicado em 2009 primeiramente na Austrália (Text) e depois nos Estados Unidos (Viking), Inglaterra (Bloomsbury) e Canadá (HarperCollins). Os direitos já foram comprados em mais de dez países, entre eles: Holanda (House of Books), Portugal (Presença), Itália (Piemme), Alemanha (Suhrkamp), Espanha (Salamandra), Rússia (Centrepolygraph Publishers), France (City Editions) e India (Mehta Publishing).
| Sobre a autora: EVA HORNUNG nasceu em Bendigo, Victoria (Austrália), em 1964. Sob o pseudônimo Eva Sallis, é autora de ficção e de crítica literária. Muitos de seus livros exploram temas sobre cultura, exílio e pertencimento. Seu primeiro romance, Hiam, ganhou os prêmios literários The Australian Vogel (1997) e Nita May Dobbie e foi selecionado para concorrer aos prêmios de melhor livro do ano de 1999 e 2000 (prêmios Courier- Mail e National Fiction Award, respectivamente). The Marsh Birds, romance ambientado no Iraque, na Síria, na Indonésia, na Austrália e na Nova Zelândia, ganhou o prêmio literário Asher em 2005.
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Editora Paz e Terra
2010
1º Edição
272 Páginas
Formato: 14x21
ISBN: 9788588763128 R$36,00
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